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Futuro das cidades, futuro do planeta. Conferência das Nações Unidas lança agenda urbana global que destaca o papel das cidades para o futuro da sustentabilidade do planeta e da convivência entre mais 7 bilhões de pessoas

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A conferência Habitat 3 acontece num momento inédito na história. Em 2016, ultrapassamos 7,3 bilhões de pessoas em todo mundo, e mais da metade delas, exatamente 54,5%, está nas cidades. A tendência é que este número aumente sem cessar até 2050, quando mais 2,5 bilhões de pessoas viverão em solo urbano, alcançando mais de 70% da população mundial.

Hoje existem 29 megacidades com mais de 10 milhões de habitantes e 44 grandes cidades que têm entre 5 e 10 milhões de habitantes. A altura dos prédios, a multidão nas ruas ou o volume do engarrafamento podem dar a impressão que o mundo é feito só de cidades. Mas, a verdade é que elas ocupam apenas 2% da superfície do planeta. O seu impacto se torna global pelo tanto que elas produzem e demandam de recursos. Atualmente, as cidades contabilizam 70% de todo o Produto Interno Bruto (PIB), mais de 60% do consumo de energia, 70% das emissões de gases de efeito estufa e 70% dos resíduos.

É impossível, então, pensar na sustentabilidade do planeta sem pensar em cidades sustentáveis. O texto-base da agenda, divulgado para a preparação dos participantes da conferência, é enfático neste ponto. Com o atual modelo de consumo insustentável e os padrões de produção, as cidades fazem parte das ameaças sobre o planeta que vão desde a perda de biodiversidade, passam pela pressão sobre os ecossistemas, a poluição, os desastres, até todas as consequências das mudanças climáticas.

A convivência também será mais e mais um desafio urbano. Não só devido ao aumento do número habitantes nas cidades, mas porque, segundo dados das Nações Unidas, perto de 2020 a população global passará por uma mudança sem precedentes: o número de adultos com 65 anos ou mais superará o número de crianças com menos de 5 anos. E os mais velhos continuarão aumentando, enquanto os mais jovens diminuindo.

Com isso, em 2050, a tendência é que a população com 65 anos ou mais represente 15,6% da população mundial, enquanto os com menos de 5 anos representem 7,2%. Fica então a pergunta: como tornar as cidades mais amigáveis para essa nova idade da população mundial? As cidades serão adaptadas a população ou a população irá se adaptar as cidades?

Os desafios da convivência não acabam aí. Como lidaremos com as diferenças culturais, comportamentais ou de gênero? O fluxo de pessoas entre as cidades – seja forçado, por exemplo, no caso dos refugiados, ou por opção – fará da diversidade a marca da vida urbana. E como vamos lidar com as diferenças? Vamos aceitá-las ou confrontá-las? E do ponto de vista econômico, vamos colaborar mais ou competir mais? [Leia mais no Museu do Amanhã]

Oui, Brasil! Protagonismo brasileiro na nova agenda do clima, firmada durante a COP21, em Paris, foi destacado pela ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira em evento realizado pelo Museu do Amanhã

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O Brasil representa 2,4% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que é pouco, de acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que participou, na última sexta-feira (4), de um evento realizado pelo Museu do Amanhã e o Observatório do Clima para debater o resultado da COP21. Na conferência realizada em Paris no final do ano passado, foram aprovadas medidas que passam a valer em 2020 para quase 200 países com o objetivo de frear o aumento da temperatura média do planeta até 2100, mantendo-o em até 2ºC em relação à era pré-industrial, se possível em 1,5ºC.

– É importante entender que a nossa contribuição na redução da emissão não é determinante para o planeta, mas é determinante como indução do comportamento político nesta agenda – ressaltou a Izabella Teixeira.

Para a ministra, o protagonismo brasileiro neste acordo vai além da contribuição apresentada pelo país, que inclui o fim do desmatamento ilegal na Amazônia, a restauração e reflorestamento de milhões de hectares e o aumento do uso de energias renováveis, além da redução da emissão de gases de efeito estufa. A seu ver, esse protagonismo está no fato do Brasil defender que todos os países tivessem o mesmo peso neste acordo, mas que as contribuições de cada um deles estivessem dentro de suas possibilidades econômicas.

O Acordo de Paris incorporou tais propostas, e, para a ministra e o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, integrante da delegação brasileira que foi à conferência, o resultado da COP21 significa uma nova agenda do clima.

– Agora cada país tem um voto igual ao outro. O que os Estados Unidos decidem terá que ser igual ao que Santa Lúcia (pequena ilha no Caribe) decide. Países continentais feito Brasil, China ou Índia têm que conversar, discutir e entrar em consenso com a diversidade política e cultural existente no mundo – completou a ministra. [Leia mais no Museu do Amanhã]

Água limpa é uma miragem para milhões de pessoas. Difícil escolher um entre tantos motivos para explicar a importância da água para a saúde humana. Apesar disso, a água potável não passa de uma miragem na vida de milhões de pessoas.

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Imagem: ChristophneLaunay

A pesquisa Progress on Drinking Water and Sanitation [en], realizada pelo Unicef em parceria com a OMS em 2012, mostra que 780 milhões de pessoas não tem acesso à água potável no mundo, cuja população é estimada em 7 bilhões de habitantes. A situação se agrava com a transmissão de doenças através da água poluída, esta sim abundante nas grandes cidades e em regiões desfavorecidas pela economia e a ação humana.

Agentes orgânicos, inorgânicos, físicos ou biológicos, de origens bacteriana, viral ou orgânica podem contaminar a água. Pesquisadores ressaltam que a população também é responsável por essa contaminação, embora seja ela própria a sofrer com cólera, disenteria, meningite, hepatite, febre tifóide e outras doenças causadas pela ingestão de água contaminada.

Parte dessa atuação humana se explica pelo processo de urbanização pouco planejado verificado na história do país, que se agravou nas últimas décadas com a alta concentração populacional nas grandes cidades, tais como Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais.

Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), órgão do Ministério das Cidades, nas 100 maiores cidades do Brasil, em municípios tratados no Ranking do Saneamento – base SNIS 2010, vivem 77 milhões de habitantes, ou seja, 40% da população brasileira. Dos 77 milhões, em 2010 pouco mais de 90% da população tinha acesso a água potável, ou seja, quase sete milhões de habitantes não tem acesso. 31 milhões não tinham acesso à coleta de esgotos em 2010. Do volume de esgoto gerado nessas 100 cidades somente 36,28% são tratados. Resumindo, são quase oito bilhões de litros de esgoto lançados todos os dias nas águas brasileiras sem nenhum tratamento. Ainda segundo o SNIS, cada R$ 1 investido em saneamento gera uma economia de R$ 4 na área de saúde. [Leia mais na Academia Brasileira de Ciências]

A matemática cruel das línguas indígenas. Há 190 idiomas ameaçados no Brasil, todos eles falados por índios; 33 são praticados por menos de dez pessoas no país. No passado, estimativas apontam a existência de até 1.500 línguas dos povos nativos.

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Imagem: Pedro França/MinC (CC BY 2.0)

Kogetsi, akatxi, o’iran, anawën, harika, waikenan, kahukade, ai’iwe e fenaama. Nove entre mais de 150 maneiras de dizer amanhã nas línguas indígenas existentes no Brasil. E essa lista aumentaria em centenas, talvez milhares de palavras, se fosse feita séculos atrás, quando até 1.500 línguas podem ter sido faladas no território.

– Isso são estimativas, diz a antropóloga e linguista Bruna Franchetto, pois a diversidade linguística indígena ainda precisa ser conhecida por completo.

Franchetto, autora de uma palestra no Museu do Amanhã nesta terça-feira (19) sobre a redução dessas línguas, explica por que o sumiço de cada uma delas é uma grande perda para todos nós:

– Cada língua indígena que enfraquece e desaparece leva consigo muito conhecimento sobre o mundo, o meio ambiente, os recursos naturais, informações sobre o manejo sustentável destes recursos e também sobre a história, modos de pensar, de conceber a vida, a relação entre os seres vivos, os mortos e os espíritos. [Leia mais no Museu do Amanhã]

Bicicleta leva livros aos moradores de rua em São Paulo. Se boas ideias cruzam fronteiras, esta faz isso de bicicleta, quer dizer, de bicicloteca, uma bicicleta que transporta uma pequena biblioteca pelas ruas de São Paulo, Brasil.

Esta matéria sobre a Bicicloteca foi traduzida para inglês, francês, espanhol, italiano, chinês, holandês, malagaxe, japonês, grego, magiar, russo, bengali, árabe e persa. Também foi considerada uma das cinco melhores matérias na categoria Transport and sustainable cities no Top 5 do site This Big City e serviu de base para a publicação Enabling City do MIT.
Esta matéria foi traduzida para inglês, francês, espanhol, italiano, chinês, holandês, malagaxe, japonês, grego, magiar, russo, bengali, árabe e persa. Também foi considerada uma das cinco melhores matérias na categoria Transport and sustainable cities pelo site This Big City e serviu de base para a publicação Enabling City do MIT. Imagem: Movere

O projeto é uma maneira ágil e criativa de incentivar o hábito da leitura, principalmente entre pessoas que moram nas ruas, por ser comum que as bibliotecas exijam registros de identificação civil e comprovantes de residência para permitir o empréstimo de livros, documentos que moradores de rua não possuem. A iniciativa da bicicloteca surgiu especialmente dessa privação e conquistou apoio de paulistanos, meios de comunicação e empresas.

Quem pedala a bicicloteca é Robson Mendonça, 61 anos, um bibliotecário que já foi morador das ruas de São Paulo. A leitura de A revolução dos bichos, livro escrito por George Orwell, provocou nele uma mudança de perspectivas, comprovando que a leitura transforma a vida das pessoas. [Leia mais no Global Voices]

De Gagarin aos astronautas do Instagram. A Estação Espacial Internacional completa 100 mil voltas ao redor da Terra permitindo uma nova perspectiva do planeta e de nós.

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Na mesma semana em que a Nasa anunciou a descoberta de 1.284 planetas fora do Sistema Solar, a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) completou 100 mil voltas ao redor da Terra. Foram 4,2 bilhões de quilômetros percorridos, o mesmo que dez viagens de ida e volta do nosso planeta a Marte ou quase a distância até Netuno.

Orbitando entre 330 e 435 quilômetros da Terra, a ISS é a maior construção humana no espaço e pode ser vista por nós a olho nu. Serve de laboratório de pesquisa espacial no qual os astronautas fazem experimentos biológicos, físicos, astronômicos e meteorológicos. Nela também são testados equipamentos para futuras missões à Lua, a Marte e a asteroides.

A Estação Espacial dá uma volta ao redor da Terra a cada 90 minutos, transmitindo a visão que tem do planeta em tempo real. Com isso, oferece permanentemente uma imagem da Terra que só é possível ver do espaço.

Se hoje a estação compartilha sua viagem on-line, esta nova perspectiva da Terra e de nós mesmos foi revelada há algumas décadas, no início da exploração espacial, pelos olhos de Yuri Gagarin. [Leia mais no Museu do Amanhã]

Ocupar sem dividir a cidade. Norte Comum promove eventos gratuitos na zona norte do Rio para aumentar a oferta de arte e cultura neste lado da cidade.

Imagem: Monara Barreto

Há uma longa lista de motivos para amar a zona norte do Rio: o morro e a Estação Primeira de Mangueira, a Velha Guarda da Portela, a feira de São Cristóvão, o baile charme e o mercadão de Madureira, a Floresta da Tijuca, a Quinta da Boa Vista, a música de Tim Maia, Cartola, o funk, a Batalha do Passinho e mais de 2 milhões de cariocas.

Também sobram coisas que precisam melhorar. Os investimentos em saneamento e habitação são insuficientes para a maioria. A qualidade de vida é desigual e põe alguns dos sessenta bairros da região entre os primeiros e outros entre os últimos no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) municipal. E a segurança pública é tratada pela polícia militar e as forças armadas com helicópteros e até tanques de guerra.

Tudo isso explica o que se fala da zona norte no jornal e na tv e o que ela própria diz nos grafites reivindicando mais escolas e mais empregos ou que o dinheiro usado na reforma do Maracanã fosse investido em hospitais.

Explica coisas boas também. Uma delas é o Norte Comum, coletivo que há quatro anos promove eventos gratuitos na zona norte do Rio para aumentar a oferta de arte e cultura neste lado da cidade. [Leia mais na Revista Ocas”, edição 102]

Leia mais

O Rio africano. Ocas’, São Paulo.
Ocupar sem dividir a cidade. Ocas’, São Paulo.
Caminhada com os próprios pés. Ocas’, São Paulo.
O mundo está falando, você está ouvindo? Global Voices e mídia cidadã. Revista da Plataforma Portuguesa das ONGD, Lisboa.
Subindo os degraus para uma vida melhor. Ocas’, São Paulo.
A hora e a vez da ciência no Brasil e no mundo. Academia Brasileira de Ciências. Traduções: [inglês]
Pesquisa e desenvolvimento nas indústrias: desafios. Academia Brasileira de Ciências. Traduções: [inglês]
Entrevista com Debora Foguel, pró-reitora da UFRJ. Academia Brasileira de Ciências.
Entrevista com Carlos Alberto Aragão de Carvalho, diretor-geral do CNPEM. Academia Brasileira de Ciências – Notícias da ABC, 08 maio 2013.
“A ciência faz parte da nossa vida assim como a água, o ar ou o solo”. Entrevista com Joszéf Pálinkas, presidente do Fórum Mundial de Ciência. Academia Brasileira de Ciências. Traduções: [inglês]
Ciência para quem não é cientista. Entrevista com Isaac Roitman. Academia Brasileira de Ciências.
Reduzindo distâncias entre a academia e as empresas. Academia Brasileira de Ciências.
Oceanos, continentes e o homem. Academia Brasileira de Ciências.
O potencial mineral do Brasil. Academia Brasileira de Ciências.
Brasil mineral: visão do futuro. Academia Brasileira de Ciências.
Internalizar a ciência internacional. Academia Brasileira de Ciências.