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Exposições na Fundação Oswaldo Cruz

Em 2015, Davi integrou o escritório técnico do Plano de Requalificação do Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos (Nahm), um projeto da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) que tem o objetivo de dar novos usos para essas edificações contribuindo com a oferta de atividades socioculturais, de divulgação científica e de educação em ciências, tecnologia, saúde e de cultura.

A Fiocruz tem o Museu da Vida, mas esse projeto aumentará muito os espaços expositivos da fundação, que está situada em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, próxima aos complexos de Manguinhos, Maré, Jacaré e Alemão. Com isso, o Plano de Requalificação do Nahm também terá um impacto social positivo no desenvolvimento da região.

Enquanto analista de comunicação neste projeto, trabalhou sob a coordenação do Museu da Vida auxiliando o desenvolvimento de uma exposição de longa duração que ocupará a Cavalariça, edificação de 1904 que foi restaurada para esse projeto. Na ocasião, auxiliou o desenvolvimento conceitual da exposição e a pesquisa iconográfica, trabalhando em parceria com jornalistas, educadores, pesquisadores, designers, museólogos, biólogos e arquitetos.

Escalas de complexidade da saúde

A exposição terá como tema as escalas de complexidade da saúde, oferecendo uma experiência sobre as interconexões entre o biológico, o social e o ambiental na saúde dos seres humanos.

Esse tema foi recortado em outros, que delimitam as diferentes áreas da exposição: o ser humano como ecossistema, o ser humano e os ecossistemas antrópicos e o ser humano e os ecossistemas silvestres. A própria história da Cavalariça e a sua relação com os processos de saúde da população do Rio de Janeiro também será tema da exposição.

Do microscópio ao Google Earth

Se o tema passa por diferentes escalas, as imagens precisam ilustrá-las. Isso foi considerado na elaboração de um conceito para a pesquisa iconográfica. Na prática, o banco conterá imagens de organismos e ecossistemas em diferentes escalas de complexidade e interação, observados por diferentes tecnologias. Numa definição simples, o banco de imagens irá do microscópio ao Google Earth, passando por outras tecnologias de observação do microbioma, da sociedade e do bioma.

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Rio de Janeiro à noite visto da Nasa International Space Center. Imagem: CC 2.0 BY NC Nasa’s Marshall Space Flight Center

Além de servir diretamente aos temas da exposição da Cavalariça, esse conceito do banco de imagens tem a vantagem servir ao museu e a fundação como um todo.

Esse banco de imagens também segue um conselho dos roteiros de museografia (UK Museum Council) por fomentar novas ideias no grupo responsável pelo planejamento da exposição e por auxiliar que cada parte da exposição complemente outra sem ser necessariamente linear.

Desenvolvimento de conteúdo

Para auxiliar o desenvolvimento do conteúdo da história da Cavalariça, foi realizada uma pesquisa nos acervo histórico da Fundação Oswaldo Cruz, guardado pela Casa de Oswaldo Cruz, e também uma pesquisa em livros sobre a história da Fundação. Por exemplo, Um lugar para a ciência: a formação do campus de Manguinhos (Oliveira; 2003); Manguinhos do sonho à vida (Benchimol; 1990), A escola de Manguinhos (Fonseca; 1970).

Com isso, além das informações, foram localizadas fontes úteis a exposição. Quando se diz fontes, não se refere somente a uma forma de comprovação empírica do conteúdo da exposição, e sim aos objetos, textos e outros elementos iconográficos que possam ser expostos na mesma.

Um exemplo disso é a pesquisa das imagens históricas da fundação. Essas imagens foram encontradas, selecionadas e receberam o tratamento adequado em conjunto com o Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz.

Vista do Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos nas primeiras décadas do século vinte. Essa e muitas outras imagens da Fiocruz foram feitas pelo fotógrafo J. Pinto, contratado pela fundação neste período. J. Pinto garantiu a memória iconográfica da formação da Fundação Oswaldo Cruz.
Vista do Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos nas primeiras décadas do século vinte. Essa  e  muitas outras imagens da Fiocruz foram feitas pelo fotógrafo J. Pinto, contratado pela fundação  neste  período. J. Pinto garantiu a memória iconográfica da formação da Fundação Oswaldo Cruz.

Exposição Pelos Caminhos do SUS, realizada pelo Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz

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Início da exposição Pelos caminhos do SUS, realizada pelo Museu da Vida da Fiocruz. As fotos são Radilson Gomes e foram selecionadas durante a pesquisa de imagens.

Além do trabalho para o Projeto Nahm, Davi Bonela participou do desenvolvimento da exposição itinerante Pelos Caminhos do SUS, realizada pelo Museu da Vida, e inaugurada em março de 2015 no campus da Fiocruz no Rio de Janeiro para, em seguida, percorrer o país.

A exposição mostra a história do Sistema Único de Saúde, da sua formação na década de 1980 aos dias atuais, com o partido de que o SUS é uma conquista da sociedade que, por meio de mobilizações no contexto de redemocratização do Brasil, tornou a saúde um “direito de todos e dever do Estado”, conforme descreve a Constituição de 1988.

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Foto tirada em Brasília na década de 1980 e localizada no DAD/Fiocruz. Autor desconhecido.

Para o desenvolvimento da exposição, foram feitas pesquisas no acervo do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (DAD/COC). O fundo ‘8a Conferência Nacional de Saúde’ (CNS) foi um dos mais interessantes de ver e serviu para ilustrar a saúde no Brasil durante a década de 1980. Isto porque, a 8a CNS (realizada em 1986) promoveu um concurso nacional de fotografias que envolveu fotojornalistas do país inteiro.

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A pesquisa foi feita em materiais analógicos e digitais. Por exemplo, esses  fotogramas encontrados no Departamento de Arquivo e Documentação da Fiocruz.

Só neste fundo foram localizadas 42 imagens úteis para a exposição, que foram digitalizadas e tratadas pela equipe do DAD e, em seguida, selecionadas pela equipe responsável pela exposição.

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Foto tirada numa maternidade em Teresina. Radilson Carlos Gomes da Silva/Ministério da Saúde.

Além da pesquisa em arquivos, foram pesquisadas fotos de Radilson Gomes, fotógrafo do Ministério da Saúde, na publicação SUS em fotos: promoção da saúde, produção de sentidos (Ministério da Saúde, 2013), disponível na Biblioteca Virtual em Saúde, e utilizadas na exposição.

Programas de tv e publicações da MultiRio, empresa de municipal de multimeios

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O programa Cidade de Leitores é apresentado pela jornalista Leila Richers. Imagem de arquivo.

Além de exposições, Davi tem experiência em programas de tv e documentários. Na empresa de multimeios Multirio, fez pesquisa para a realização de diversas produções na área de educação, como programas de tv, publicações, rádio e internet, que são destinados aos alunos da rede pública de ensino do município do Rio de Janeiro. As pesquisas auxiliaram roteiros, a escolha de temas, participantes, e o desenvolvimento do conteúdo.

Entre os projetos, se destacam os programas de tv Cidade de Leitores e Escolher dá trabalho. O objetivo do primeiro é incentivar à leitura e à cultura, apresentando livros novos e consagrados cujos temas sirvam de reflexão para os estudantes e também auxiliem o aprendizado sobre o brasil e o mundo dentro e fora de sala de aula. E o segundo tem por objetivo apresentar as profissões aos estudantes para que eles possam ter mais subsídios na hora de escolher tanto a profissão, quanto o curso universitário, técnico ou profissionalizante preparatório para o mercado de trabalho.

Documentário e exposição Retratos de Identificação, dirigidos por Anita Leandro

Imagem de André Telles e Alexandre Kubrusly.
Imagem: André Telles  e Alexandre Kubrusly.

Pesquisas no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro em busca de documentos produzidos pelos órgãos de repressão do regime militar brasileiro (1964-85) para a produção do documentário e a exposição Retratos de Identificação, dirigidos por Anita Matilde Leandro. A exposição aconteceu no Centro Cultural da Justiça Federal, em 2014, ano no qual um grande evento marcou os 50 anos do golpe que iniciou a ditadura militar no Brasil. Já o documentário tem sido exibido com sucesso em festivais de cinema nacionais e internacionais, inclusive ganhou o prêmio de melhor longa-metragem pelo Juri Oficial do CachoeiraDoc em 2015.

Popularizando a história do Brasil em projetos do Museu Nacional e do Museu da República

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Imagem: Entrada do Museu Nacional, que fica na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro.

Pesquisas para os projetos Popularizando a História do Brasil no Museu Nacional e Levantamento documental sobre a participação do Brasil nas Exposições Universais, coordenados por Regina Macedo Dantas.

Esse projeto busca divulgar a informação histórica nacional através dos documentos e objetos museológicos que pertenceram ao Paço de São Cristóvão; suas representações para a sociedade da época; a identificação dos salões e suas diferentes utilizações em relação aos dias de hoje, tão solicitada pelos visitantes das exposições. O Museu Nacional, criado em 1818 por d. João VI, foi transferido para o palácio dos ex-imperadores em 1892 e viveu ignorando os vestígios históricos ainda existentes em seu interior.

No Museu da República, pesquisas semelhante auxiliaram o desenvolvimento do portal República Online, que tinha por objetivo ser um museu virtual que conta a história da república no Brasil através de exposição online, divulgação e análise de fontes históricas. Esse projeto foi desenvolvido em parceria pela UFRJ, a Pontifícia Universidade Católica e a UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais.

Roteiros de documentários

Imagem de arquivo.
Imagem de arquivo

Pesquisas de conteúdo também auxiliam roteiristas, ou seja, esse trabalho serve para execução quanto para o desenvolvimento de um projeto. Foram esses os casos do meu trabalho para o roteiro de um documentário de longa metragem realizado pelo Canal Brasil sobre a trajetória cinematográfica de  Renato Aragão, cujo diretor foi diretor Renato Martins, e também para o roteiro de um documentário sobre os cinemas de rua do Rio de Janeiro, realizado pela Germinal Produtora e dirigido por Breno Soares.