entrevistas

– “A ciência é parte da nossa vida, assim como a água, o ar e o solo”.
József Pálinkás,
Presidente do Fórum Mundial de Ciência

No limiar do século passado havia quem acreditasse que a virada do milênio traria um mundo novo. É verdade que trouxe, no entanto novo não é necessariamente melhor. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o planeta possui 7 bilhões de pessoas: 6 bilhões possuem telefones celulares, 2,5 bilhões não possuem saneamento básico onde vivem. Ainda que esses números não sejam absolutos ou não expressem uma relação entre si, eles revelam que há muito a ser feito em prol do desenvolvimento global.

Por essa razão, a comunidade científica internacional está buscando meios de empregar o seu conhecimento na formulação de uma agenda de desenvolvimento supranacional, de modo que a ciência faça parte da construção de sociedades equânimes, que assegurem a qualidade de vida das populações sem exaurir os recursos naturais necessários para as futuras gerações.

O presidente da Academia de Ciências da Hungria e do Fórum Mundial de Ciência József Pálinkás é um desses cientistas que querem mudar o curso atual do desenvolvimento. Na entrevista a seguir, ele, que é físico e já foi ministro da Educação da Hungria, explicou os motivos para a criação do Fórum, como os cientistas podem influenciar a tomada de decisões políticas e econômicas dos países através dele, e a importância da edição brasileira do evento. E, a seu ver, o Fórum Mundial de Ciência aborda questões mais amplas do que o Fórum Mundial Econômico e tem medidas mais concretas do que a RIO+20.

– Como o Fórum Mundial de Ciências se insere entre outros fóruns mundiais existentes, tal como o Fórum Econômico Mundial, no qual empresários e políticos também discutem os desafios globais?

Pálinkás – Eu creio que o Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, tenha um escopo reduzido. O Fórum de Davos lida apenas com questões econômicas de curto prazo, enquanto o Fórum Mundial de Ciência lida com questões de longo prazo, incluindo as questões econômicas. Afinal, a economia é muito importante. É claro que nós temos que produzir tudo o que necessitamos para viver – desde alimentos até veículos, passando por computadores e tudo mais -, no entanto precisamos nos perguntar até que ponto este tipo de desenvolvimento é sustentável.

Em minha opinião, manter o pensamento de que o crescimento material durará para sempre não é apenas equivocado, é destrutivo. Nós temos que pensar no futuro – muito mais distante do que dois ou três anos apenas – para descobrirmos qual a solução para os problemas que ele trará, sendo que, na realidade, muitos deles já são problemas atuais.

– A edição brasileira do Fórum Mundial de Ciência teve um tema semelhante ao da RIO+20, com a diferença de congregar principalmente cientistas. É possível compará-los?

Os dois eventos possuem temas semelhantes, mas eles são conduzidos de maneira completamente diferentes. A meu ver, a Rio +20 foi uma conferência na qual as lideranças dos países vieram e leram os seus discursos previamente preparados, mas não refletiram verdadeiramente sobre o que disseram uns aos outros. Isso ocorre pelo fato dos países se encontrarem em diferentes estágios de desenvolvimento e também por possuírem ideias diferentes sobre o desenvolvimento em si.

No Fórum Mundial de Ciência, os cientistas veem as questões de uma maneira semelhante. Claro, há diferenças entre a ciência nos EUA, China ou Uganda, mas as opiniões dos cientistas, os seus conhecimentos, atitudes e os interesses estão muito mais próximos do que as opiniões, conhecimentos, atitudes e interesses dos chefes de Estado e primeiros-ministros desses países.

Neste sentido, creio que essa edição do Fórum tenha resultados mais concretos do que a Rio+20, embora pessoas muito influentes tenham participado do evento. No Fórum, os cientistas podem falar com mais força, de forma mais franca e com interesses globais, enquanto os políticos, quando estão em uma conferência como a RIO+20, precisam agir de acordo com o interesse dos seus países. [Leia mais na Academia Brasileira de Ciências ou a tradução em inglês]

– “Já ouvi “A Finlândia tem 99% de inclusão digital, Coreia do Sul tem mais de 90%, enquanto o Brasil só tem 70%”. Agora, 70% num país de 200 milhões de habitantes e com a nossa enorme extensão territorial é um feito muito grande. A área da Coreia do Sul corresponde a área de Pernambuco, a Finlândia tem uma área maior, mas tem uma população de 4,5 milhões de habitantes”. 
– Sergio Rezende
Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo Lula

 

O progresso da ciência brasileira na última década traz uma sensação otimista. No entanto, este avanço acompanha o ritmo dos demais setores do país, tanto em seus erros como em seus acertos. O Brasil faz pesquisa de ponta, mas possui um enorme déficit educacional; a infraestrutura traz vantagens ao pesquisador quando a concorrência é entre países latino-americanos, mas deixa a desejar na competitividade global; em além disso, as desigualdades regionais em ciência, tecnologia e inovação reproduzem as desigualdades sociais e econômicas do país. Três exemplos a partir dos quais se conclui que o rumo até os novos patamares apresenta obstáculos.

Nesta entrevista, Sergio Rezende, ministro de Ciência e Tecnologia do governo Lula, avalia onde a ciência brasileira avançou e destaca onde é preciso continuar investindo para dar o salto necessário.

– O déficit educacional em ciência no país continua grande. Como o programa Ciência Sem Fronteiras pode mudar esta realidade, considerando seu efeito no ensino de ciência e na formação profissional decorrentes do programa?

O Ciência Sem Fronteiras é o grande programa de ciência do atual governo. Até a década de 1970, o Brasil enviava muitas pessoas para fazer o doutorado no exterior, porque nós só passamos a ter doutorado aqui no final da década de 60. A partir da década de 1980, o país já possuía um bom número de programas de pós-graduação com doutorado, e alguns deles se ressentiam porque os melhores alunos estudavam no exterior e não ficavam aqui. E o que faz um bom programa não é só ter bons professores – é preciso ter bons alunos. Além disso, aconteceu uma crise econômica que fez com que o dólar valorizasse muito em relação a nossa moeda; com isso, o Brasil foi deixou de mandar pessoas para fora, a ciência brasileira foi se fechando muito em torno de si mesma, a troca de pessoas foi diminuindo.

Em algumas áreas, nós temos necessidade de formar pessoas nos melhores centros do mundo. O Ciência sem Fronteiras aumentou muito esta dinâmica, possibilitando a estudantes e pesquisadores brasileiros irem para o exterior, e estudantes e pesquisadores estrangeiros virem para o Brasil. Uma característica muito importante do programa é que ele está possibilitando esse intercâmbio durante a graduação, o que o diferencia dos programas anteriores que não incluíam estudantes nesta etapa. É de se esperar que isto tenha uma grande repercussão, modificando a mentalidade dos alunos, gerando outra visão de mundo.

É um grande programa, bem executado, e tende a contribuir muito para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Brasil. Através dele, mais alunos de graduação irão se interessar em fazer pós-graduação e em se tornarem cientistas ou pesquisadores em tecnologia. Irão trabalhar nas empresas, de modo que irão contribuir para que a ciência e a tecnologia sejam fatores de desenvolvimento econômico do Brasil – que é o nosso grande desafio atual.

– Baseado na sua experiência e compreensão, poderia nos dizer quais são os novos patamares que a ciência brasileira pode alcançar?

O Brasil tem hoje aproximadamente 90.000 pessoas com doutorado trabalhando em ciência e tecnologia, tem aproximadamente 70.000 pessoas com mestrado, somando aproximadamente 160.000 pesquisadores trabalhando em ciência e tecnologia hoje. Bastante aquém dos países que vivem uma economia do conhecimento – por exemplo, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão.  Nesses países. muitas vezes o número de pesquisadores chega a 0,2% da população, enquanto no Brasil fica em torno de 0,08%.  Aproximar-se destes países é um grande desafio, mas é um desafio que está sendo enfrentado. O Brasil está formando aproximadamente 14.000 doutores por ano e aproximadamente 40.000 mestres.

Os recursos para ciência e tecnologia cresceram muito na última década, mas pararam de crescer nos últimos dois anos, aliás diminuíram um pouco. Para que estas pessoas trabalhem com ciência e tecnologia é preciso que os recursos continuem crescendo. O Brasil precisa retomar o crescimento do orçamento para ciência e tecnologia para que seja formado mais pessoal e sejam financiadas as atividades desenvolvidas. E o investimento precisa ser de todos os setores: governo federal, governo estadual e empresas. O investimento total destes três setores em pesquisa e desenvolvimento no Brasil hoje não chega a 1,2% do PIB brasileiro, enquanto nos países de economia do conhecimento este investimento está em torno de 2% e 3% de seus PIBs.

Na década de 1970, a Coreia do Sul era menos desenvolvida que o Brasil, mas tinha uma política de ciência e tecnologia. Enviou gente para estudar no exterior, realizou uma política industrial articulada com a política científica, o que fez com o que o padrão inteiro da Coreia aumentasse. A renda per capita deles atualmente é o dobro da brasileira. Guardadas as devidas proporções, o exemplo é válido.

Se o Brasil continuar formando pessoal, aumentando recursos, financiando pesquisas, aumentando a participação das empresas neste processo, seguiremos no rumo do desenvolvimento. A economia do conhecimento, ela não só enriquece o país, ela faz com que o país inteiro se desenvolva. O Brasil está em um processo acelerado de mudança, é preciso mantê-lo e mantê-lo por muito tempo para que gere as mudanças desejadas, para que leve aos novos patamares. [Leia mais na Academia Brasileira de Ciências ou no Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais do MCTI]

– “Se as cotas sociais já seriam suficiente para resolver a questão das cotas raciais, isso é outra discussão. Mas não podemos negar que este país é miscigenado nas ruas e nas praias, por exemplo, mas branco nas repartições, nos consultórios médicos, de advocacia e nas universidades”.
Débora Foguel,
Pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ

 

O ensino superior brasileiro, uma das forças motrizes do desenvolvimento do país, teve um avanço expressivo na primeira década deste século. Dados do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o percentual de brasileiros com nível superior completo passou de 4,4%, em 2000, para 7,9%, em 2010, o que representa a passagem de 6,1 milhões para 12,8 milhões de brasileiros detentores de um diploma universitário. Esses dados também sinalizam prosperidade socioeconômica: afinal, mais conhecimento para o brasileiro significa mais conhecimento para o Brasil, sobretudo se for acompanhado da abertura de postos de trabalho, acarretando o aumento da produtividade e do poder aquisitivo.

No entanto, para que este avanço seja bem compreendido há muito mais a se considerar. Convém avaliar o que a carreira docente oferece em termos de remuneração, formação continuada e atividade de pesquisa aos professores; identificar a infraestrutura das salas de aula, laboratórios, centros de pesquisa e demais espaços das universidades; e analisar qual o nível de aprendizado de quem ingressa e de quem sai das universidades para o mercado de trabalho ou para prosseguir nas atividades de pesquisa e na carreira acadêmica. Só assim será possível entender por que persiste a evasão de estudantes e professores e também por que o número de pesquisadores aumenta lentamente, caso seja considerado o potencial de 193 milhões de brasileiros ou, ao menos, os 12,8 milhões que conquistaram um diploma universitário na última década.

Na entrevista a seguir, Debora Foguel, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ, comentou políticas públicas para o ensino superior, modelos de universidade e a carreira docente universitária brasileira, ponderando os impactos sociais resultantes de cada tema.

– Nos últimos anos foram implementadas políticas públicas para a universalização do ensino superior no país, com destaque para a assistência de crédito estudantil, cotas raciais, intercâmbio, entre outras. Entre elas, a que causou maior repercussão na sociedade foi a introdução de cotas nas universidades. Qual a sua avaliação dessa política para ensino superior brasileiro?

No que tange a política de cotas, foram muitos os debates que presenciei e as opiniões sobre essa política são divergentes entre os acadêmicos. Como experimentalista, antes de formar minha opinião, não poderia me furtar a olhar dados, dados de universidades que já praticam as cotas há algum tempo, como a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), por exemplo.  Esses dados têm mostrado, até onde eu pude acompanhar, que a qualidade do ensino universitário não foi afetada pela chegada dos alunos cotistas. Os dados mostram também que a taxa de evasão, outro mito em torno das cotas, também não tem sido maior entre os cotistas. Alguns dados até mostram o contrário! E, curiosamente, um estudo realizado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) mostra que os alunos cotistas negros não se sentem discriminados pelos seus professores, nem pelos seus colegas, nem pelos funcionários e técnicos da universidade onde estudam, outro mito que ronda o tema, no caso das cotas raciais.

Baseado nesse conjunto de observações, mas, também, naquilo em que acredito enquanto pessoa, professora e acadêmica brasileira, sou favorável às cotas! Se as cotas sociais já seriam suficientes para resolver a questão das cotas raciais, isso é outra discussão. Mas, não podemos negar que este país é miscigenado nas ruas e nas praias, por exemplo, mas branco nas repartições, nos consultórios médicos e de advocacia, nas universidades. Mas, considero que determinar uma fração das cotas para os negros traz em si um resgate, um compromisso e uma carga de simbolismo. Eu, particularmente, gostaria de poder ver os cidadãos brasileiros e meus filhos, que são universitários, participando dessa experiência como parte de sua formação como cidadãos do mundo.

Certamente, nosso problema maior e que nos leva à necessidade da adoção de tal medida reside na baixa qualidade do ensino básico ofertado na maioria das escolas públicas ou mesmo em algumas escolas particulares brasileiras. Nós das universidades não podemos descansar enquanto essa questão não for equacionada e isso levará décadas… Até lá, quantas mais gerações de jovens de baixa renda ou negros ficarão aguardando a solução desse problema crônico e de difícil solução? As cotas vêm para fazer com que atravessemos esse longo período enquanto as coisas não se arrumam na educação básica brasileira dando oportunidade para essa geração de jovens que cá está e longe da universidade.  E os dados do último Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) também mostraram que os alunos cotistas não obtiveram pontuação tão distinta dos não cotistas. Penso que a missão das universidades brasileiras é plural, múltipla e traz enormes desafios. [Leia mais na Academia Brasileira de Ciências]

– “O chineses já apontam as universidades que estão destinadas a serem as Harvards e os MITS da China. Precisamos ousar mais. Não basta andar para frente. Temos que caminhar com a mesma velocidade ou mais rapidamente que outros países emergentes, reduzindo as desigualdades sociais, garantindo uma educação de qualidade para todos e promovendo a excelência na ciência e na inovação”.
Luiz Davidovich,
Presidente da Academia Brasileira de Ciências

 

Dados do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apontam para o aumento de pessoal, recursos e de produção nos últimos anos, atestando o progresso da ciência brasileira. No entanto, esses dados devem ser acompanhados das opiniões de quem está nos laboratórios, centros de pesquisas e tecnologia e nas universidades de todo o país para que a celebração aconteça sem impedir os ajustes necessários para que este progresso se intensifique.

A leitura destes dados foi feita pelo Acadêmico e presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na entrevista a seguir.

– Como são os novos patamares que a ciência brasileira quer alcançar?

Luiz Davidovich – Nessa trajetória, os piores inimigos são a timidez e a modéstia. Devemos almejar ter nossas universidades entre as melhores do mundo, pautar internacionalmente, através de nossas instituições de pesquisa e empresas, linhas importantes da ciência e da inovação tecnológica, e criar, com a ajuda da ciência e da tecnologia, um ambiente de desenvolvimento sustentável, que leve em conta a riqueza de nossa diversidade regional e respeite a natureza e os seres humanos.

Países como os Estados Unidos, a China, a Coreia do Sul e a Índia procuram ocupar espaços, em meio à crise econômica global, através do aumento do investimento na ciência e na inovação. Programas bilionários em biotecnologia e nanociências estão sendo promovidos nos Estados Unidos, na Europa e na China. Em março do ano passado, o primeiro ministro da China anunciou, diante do Congresso do Povo, que a taxa de crescimento do PIB chinês seria reduzida. No mesmo discurso, anunciou um aumento de 26% no investimento em ciência básica. Os chineses já apontam as universidades que estão destinadas a serem as Harvards e os MITs da China. Precisamos ousar mais, não basta andar para a frente, temos que caminhar com a mesma velocidade  ou mais rapidamente que os outros países emergentes, reduzindo a desigualdade social, garantindo uma educação de qualidade para todos e promovendo a excelência na ciência e na inovação. [Leia mais na Academia Brasileira de Ciências e no Jornal da Ciência, órgão da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]

– Os recursos naturais brasileiros trazem benefícios, mas também trazem responsabilidades. É fundamental essa biodiversidade seja utilizada de uma forma não predatória, mas que, ao mesmo tempo, transforme esta riqueza natural em bens para a sociedade, em riqueza que permita a melhoria de vida da população.
Carlos Alberto Aragão,
Diretor-presidente do Centro Nacional de Pesquisa e Estudos em Materiais

 

A Academia Brasileira de Ciências entende que novos patamares de desenvolvimento científico e tecnológico não podem ser alcançados somente com esforços individuais ou de forma isolada, pois dependem da participação de diversos setores envolvidos na vida produtiva do país. E acredita que a aliança entre a comunidade científica e o empresariado seja fundamental para o crescimento econômico e da competitividade do país em um mundo globalizado.

Por séculos o Brasil participou da economia global como coadjuvante, exportando matérias primas, exaurindo os recursos naturais disponíveis em seu território, e commodities, subtraindo o valor de sua produção. Nas últimas décadas, este quadro está se modificando, sendo que a parceria entre a academia e as empresas tem contribuído significativamente para esta mudança. Para as empresas, essa parceria tem agregado valor à produção, gerado novos produtos e encontrado soluções inovadoras, enquanto para a academia tem fomentado pesquisas, criado novos postos de trabalho e auxiliado a internacionalização da ciência brasileira. Esta parceria também tem sido importante para o desenvolvimento econômico sustentável que o Brasil e o mundo necessitam.

Mas, se a base desta parceria for avaliada pelo volume de investimento em pesquisa e desenvolvimento no país, a verdade é que ela poderia ser maior. O Brasil tem investido cerca de 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em P&D, parcela insuficiente se comparada ao investimento de países desenvolvidos, como Japão e Estados Unidos, que investem 3,4% e 2,7% do PIB, respectivamente.

Na entrevista a seguir, o Acadêmico Carlos Alberto Aragão explica a importância da academia e as empresas trabalharem juntas para o progresso econômico, para o conhecimento científico e para a sustentabilidade do planeta.

– Um indicador bastante utilizado para calcular o desenvolvimento econômico dos países é o investimento de seu PIB em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, este investimento não está à altura da importância que ele tem num cenário de competitividade global. A que atribuir este baixo investimento?

Carlos Aragão – Efetivamente, o que o Brasil aplica de seu percentual do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento está bem aquém do aplicam países como Japão, Estados Unidos e Alemanha, por exemplo. De certa forma, isto tem origens históricas. A ciência brasileira e, digamos, a tecnologia brasileira, são recentes se comparadas com aos outros países. O Brasil teve o seu primeiro órgão nacional de fomento à pesquisa, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), fundado em 1951. A primeira universidade a ter um papel importante em relação à pesquisa no país, a Universidade de São Paulo (USP), foi fundada em 1934.

O Brasil fez um grande esforço durante os últimos 60 anos para apoiar ciência e tecnologia e agora também começa a buscar a inovação. Ou seja, fazer com que as atividades de acabem por se traduzirem em novos produtos, em novos processos, em novos serviços, que venham a passar pelo crivo da sociedade, porque uma inovação só se consagra como tal com o uso, quando bem utilizada.  Creio que esta trajetória recente pode ser uma explicação para o fato dos investimentos em P&D no Brasil ainda serem baixos, se comparados aos países desenvolvidos em geral, que possuem uma tradição de C&T maior do que a brasileira, além de uma realização maior de atividades de inovação que envolvam empresas de base tecnológica.

– Qual a importância do investimento em P&D para a prosperidade econômica brasileira no mercado global?

O Brasil tem muitos exemplos sobre a importância de aumentar os recursos em P&D, seja para agregar valor ao produto que comercializava tradicionalmente a preços baixos ou para criar tecnologia de ponta, necessária para a exploração dos seus próprios recursos. Na área de petróleo, de prospecção em águas profundas, foi investimento em pesquisa e desenvolvimento, envolvendo empresas, universidades, centros de pesquisa, institutos tecnológicos, que formou a mão de obra qualificada e tecnologia necessária para este fim. Na agricultura, o sucesso do Brasil está baseado em C&T, como prova o fato da taxa de produção agrícola ser muito superior a de ocupação de terras, além dos produtos gerados – como o etanol, combustível alternativo, renovável, reconhecido internacionalmente. Temos uma indústria aérea de qualidade, que aspira à liderança mundial.

As bases desses casos de sucesso estão no final da década de 1960, início de 1970, com os esforços do Brasil para criar pós-graduações, enviando pesquisadores para o exterior, que, retornando compuseram os quadros das pós-graduações brasileiras. Com esses esforços unidos a uma política de estado eficaz e a boas políticas públicas, criou-se uma riqueza intelectual que gerou e gera soluções que resultam no aumento do desenvolvimento econômico que verificamos nos últimos anos e indicam que, para o país continuar se desenvolvendo, a solução é investir mais. O país precisa de mais ciência, mais tecnologia, mais inovação. É necessário ampliar a base de empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento e aproveitar mais os recursos de ciência e tecnologia existentes, de forma a transformar a produção, diferenciando-a no mercado global. O Brasil já atingiu certo patamar, criou estruturas que permitem formar pessoal qualificado, de acordo com padrões internacionais, e tem de ir além, em busca de uma internacionalização que aproveite integralmente esta força de trabalho tão qualificada de que dispomos.

– Além da prosperidade econômica e da produção do conhecimento, outro aspecto fundamental para a presença da ciência nas empresas é a orientação para um desenvolvimento sustentável. Isto também justifica a aplicação e o investimento do conhecimento científico na produção de empresas e indústrias?

A agenda da sustentabilidade é incontornável, porque os recursos do planeta são finitos. Fontes de energia, água, poluição, gases de efeito estufa e outros desafios para a ciência compõem esta agenda, que também é das empresas, que precisam aprender a produzir de forma menos agressiva ao planeta. Não há como escapar e apenas a ciência pode ajudar nisto, através da formulação de novas tecnologias, tecnologias limpas, que não apenas preservem os recursos ambientais, mas que saibam utilizá-los de maneira eficiente.

Qualquer intervenção humana na natureza terá efeitos e a presença do cientista nas empresas pode auxiliar no aumento de produtividade com cuidado ambiental. E a agenda da sustentabilidade passa por ciência e tecnologia, por isso é preciso utilizar todo o conhecimento disponível. Com enfoque científico para este tipo de questão, as empresas, as indústrias demonstram considerar a sociedade, o ambiente e a economia. A proliferação de parques tecnológicos e de centros de pesquisa também sugere que o desenvolvimento não será predatório a longo prazo. A capacidade de prever impactos que a ciência oferece é absolutamente necessária para o conhecimento dos cenários futuros que estão sendo construídos, caso sejam utilizados ou não meios sustentáveis de produção. A ciência sempre foi uma alternativa, mas num contexto de alta competitividade entre países, de desenvolvimento tecnológico crescente, mas com recursos naturais cada vez mais escassos, a ciência se transforma em um fator otimização da produção a ser considerado em toda cadeia produtiva.

Os recursos naturais brasileiros trazem benefícios, mas também trazem responsabilidades. O país possui uma biodiversidade fantástica, uma das maiores do planeta, por isso é fundamental ter um programa nacional que utilize esta biodiversidade de uma forma não predatória, mas que, ao mesmo tempo, transforme esta riqueza natural em bens para a sociedade, em riqueza que permita a melhoria das condições de vida da população. E essa é uma tarefa para todos os países. A esperança é que a busca por uma otimização elaborada cientificamente seja levada em conta para o desenvolvimento sustentável, seja na produção industrial, na formulação de políticas públicas ou na constituição de uma agenda comum a todos os países. Os métodos e as ferramentas do conhecimento um dia acabarão por se estabelecer, por avançar e o mundo efetivamente será melhor planejado, discutido de uma forma mais racional, e os seus recursos serão utilizados de maneira mais otimizada, para que nós superemos condições que no século 21 são vergonhosas – como o fato de 1/5 da população mundial viver em situação de miséria. [Leia mais na Academia Brasileira de Ciências e no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil]

 

– “A alimentação saudável não apenas agride menos o meio ambiente, mas também promove mais igualdade social”.
Carlos Augusto Monteiro
Professor da Universidade de São Paulo e membro do painel de especialistas em Nutrição da Organização Mundial da Saúde

Em entrevista ao Museu do Amanhã, Carlos Augusto Monteiro, professor da Universidade de São Paulo e membro do painel de especialistas em Nutrição da Organização Mundial da Saúde, fala sobre a alimentação dos brasileiros sob diversos ângulos. Para ele, uma alimentação saudável requer políticas públicas adequadas desde o cultivo dos alimentos até escolhas bem informadas dos cidadãos sobre o que vão comprar, o que vão colocar no prato. Monteiro tem fé na união entre políticas públicas e ações individuais para melhorar a qualidade da dieta do brasileiro – que, reforça, ainda não chegou a um patamar tão preocupante quanto nos Estados Unidos ou China. Mas a quantidade de pessoas doentes em decorrência da má alimentação aumenta no país e isto pode acarretar não apenas prejuízo em gastos públicos com a tratamentos hospitalares (em um país em que o Sistema Único de Saúde segue em processo de sucateamento crescente em favor das operadoras de plano de saúde privadas), mas também na queda da qualidade e expectativa de vida do brasileiro em geral.

Museu do Amanhã – “Alimentação saudável” é uma expressão tão repetida – desde a publicidade até os debates públicos – que parece ser um senso comum. Mas o que vem a ser alimentação saudável de fato?

Carlos Augusto Monteiro – Dependendo do tipo de alimentação que uma pessoa tem, ela terá mais ou menos saúde, mais ou menos doença. A alimentação que é saudável, que dá mais saúde para as pessoas e às ajudam a viver mais e melhor, com mais bem-estar, é também a alimentação que é produzida por um sistema alimentar que agride menos o meio ambiente e promove mais igualdade.

Os alimentos variam de lugar para lugar – mas há requisitos que são, digamos, universais. Um consenso é o de que a alimentação precisa ser baseada em alimentos. Parece uma constatação óbvia, mas não é. Nas últimas décadas, mais e mais pessoas se alimentam não propriamente de alimentos naturais – ou destes alimentos modificados como vem sendo há séculos, milênios –, mas consumindo fórmulas, formulações industriais. Por mais que tenhamos a capacidade tecnológica e industrial de criar estes compostos, eles não têm a capacidade de substituir a alimentação que é baseada nos alimentos naturais e nas preparações culinárias desses alimentos.

Podemos considerar que a alimentação saudável tem, então, quatro dimensões.

A primeira delas é que este tipo de alimentação se baseia em alimentos que a natureza nos proporciona e que podemos – e devemos modificar. Veja o leite, por exemplo: se in natura, estraga rapidamente e pode estar contaminado. Por isso processos como a pasteurização fazem com que o leite não perca nenhum nutriente que é importante, o que nos ajuda a consumi-lo com segurança durante vários dias. Mesmo os alimentos in natura, que vêm diretamente da natureza para a nossa mesa sem intervenção da indústria, sofrem algum processamento mínimo. Eles são secos, empacotados, moídos, fermentados.

A segunda dimensão da alimentação saudável é que, além de ser baseada em alimentos in natura minimamente processados, é preciso tê-los em grande diversidade. Não existe, na natureza, um “super alimento” capaz de, sozinho, nos nutrir e alimentar. Por isso precisamos de alimentos em grande diversidade para ter uma dieta saudável. Tanto que há vários indicadores de alimentação saudável que se baseiam no número de famílias de alimentos que se consome ao longo do dia: se você consome pelo menos 5 grupos de alimentos diferentes, é muito provável que você vá ter uma proporção nutricional bastante elevada. Muito mais do que se consumisse apenas arroz ou apenas mandioca, por exemplo.

A terceira característica é o consumo de uma pequena proporção de alimentos de origem animal. A maior parte das calorias que consumimos deveria vir de plantas, de alimentos de origem vegetal. Uma das grandes razões para tal também é ambiental – o que cria interface com a questão do sistema alimentar. O sistema alimentar que produz muita carne, leite e ovos é um desastre para a natureza – não apenas em função do desgaste ambiental, mas também porque o consumo excessivo de carne vermelha ocasiona vários problemas de saúde como doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

A quarta dimensão de uma alimentação saudável tem a ver com a preparação destes alimentos. O uso de ingredientes culinários processados – como sal, açúcar e qualquer tipo de gordura – são fundamentais para transformar os alimentos em comida, em receitas, em sobremesas e preparações culinárias. São importantes para o surgimento de culturas culinárias. No entanto, precisam ser usados com moderação para que a maior parte das calorias não venham destes produtos industrializados, mas sim do arroz, do feijão, das hortaliças, da fruta, do leite, enfim, dos alimentos reais, dos alimentos de verdade.

E como está a alimentação dos brasileiros hoje? Mudou muito nos últimos anos? E quais são as tendências para o futuro da nossa alimentação?

O que acontecia no Brasil, como em vários outros países, é que a discrepância entre quantidade de alimento disponível para o consumo e a capacidade de compra das pessoas de alimentos já foi um grande problema. No Brasil, há uns 50 anos, havia pessoas que eram tão pobres, em tal quantidade – ainda há, mas menos – que não tinham capacidade econômica de adquirir alimentos nem em quantidade nem em qualidade. Por causa disso se tinha o que chamamos de “monotonia da dieta” – inclusive crianças, que que precisam de uma alimentação ainda mais diversificada que adultos por estarem crescendo. Assim, tínhamos muita desnutrição infantil em decorrência da pobreza, que leva a dietas muito monótonas. Lembro que, quando comecei a estudar no sertão, via muito isso.

E também havia muitas doenças. Sangramento, diarreia, sarampo… várias doenças que atacavam muito esta população mais empobrecida – a mesma que foi bastante beneficiada nos últimos 15, 20 anos. A limitação econômica diminuiu muito, o saneamento básico e a assistência de saúde melhorou muito para esta faixa da população. Por mais que as pessoas reclamem, hoje estamos muito melhor do que há 20 ou 30 anos – os investimentos sociais foram importantes para que o Brasil progredisse e tivesse a desnutrição residual que temos hoje.

No entanto, outro fenômeno aconteceu nesse período: à medida em que as pessoas deixaram de ter este limite tão estrito de renda e poder aquisitivo e passaram a ser consumidoras, também houve uma mudança muito grande no sistema alimentar. O Brasil do fim da década de 1990 começou a ter investimentos gigantescos de empresas internacionais que dominam a produção o mercado de alimentos ultraprocessados. Com a abertura de capital para investimento estrangeiro nesta época decorrente das negociações do Conselho de Washington, várias empresas, como as de refrigerantes, biscoitos, sobremesas, salgadinhos e redes de fast food vieram para o Brasil.

Assim, de um lado, tivemos mais pessoas com poder e de compra e de outro, uma entrada massiva de capital estrangeiro que inclusive passou a comprar empresas nacionais de alimentação. De modo que, hoje, praticamente não há empresas de alimentação ou de bebidas que seja nacional – são todas internacionais.

E estas empresas têm grande capacidade de produzir padrões de consumo que nunca havíamos visto. Estas empresas fazem marketing – e sabemos que o marketing hoje está cada vez mais sofisticado e acaba definindo os padrões de consumo das pessoas. Passamos a ter um número crescente de pessoas que começam a deixar de almoçar, de jantar e de comer o seu arroz com feijão para se alimentar de produtos ultraprocessados – snacks, refrigerantes, fast food, comida congelada, sopa instantânea, macarrão instantâneo, sobremesas industrializadas… estes que estão na categoria dos chamados alimentos ultraprocessados. Inclusive alimentos ultraprocessados chamados nutricionais ou de linha diet e fit – não são saudáveis porque são nutricionalmente muito pobres, feitos com ingredientes de muito baixo custo.

Por isso, no Brasil estamos enfrentando uma epidemia de obesidade e diabetes sem paralelos. E isto é um caso de saúde pública, porque tem impacto no desenvolvimento urbano e na economia – e inclusive no sistema de saúde que não tem recurso de saúde para atender a todas estas pessoas, já que estas doenças demandam muitos recursos, muitos medicamentos. Mesmo em países ricos como os Estados Unidos, por exemplo, o sistema de saúde não suporta arcar com todos os custos – e por isso os preços de seguro de saúde ficam cada vez mais altos por lá.

[Leia a entrevista completa no site do Museu do Amanhã]

– “Mudamos o planeta, e estas mudanças serão permanentemente expressas nas rochas no futuro”.
Colin Waters
Líder do Grupo de Trabalho sobre o Antropoceno da União Internacional de Ciências Geológicas

Os indícios são cada vez mais visíveis: mudanças climáticas ameaçam regiões costeiras e a biodiversidade em vários lugares; as emissões de dióxido de carbono já mudaram a composição da atmosfera terrestre; vestígios de plástico, alumínio, concreto e outros materiais deixam sua assinatura nas paisagens de todos os continentes. Somos testemunhas do nascer de uma nova época geológica. Ao menos essa é a ideia que muitos geólogos e pesquisadores querem propor à comunidade internacional. Um dos braços da Comissão Estratigráfica Internacional (e, portanto, da União Internacional de Ciências Geológicas), o Grupo de Trabalho sobre o Antropoceno (AWG, na sigla em Inglês), defende que a ação humana tem se tornado uma força geológica comparável aos vulcões – principalmente da década de 1950 em diante.

Para o cientista britânico Colin Waters, secretário do AWG e, “já mudamos o planeta, e estas mudanças serão permanentemente expressas nas rochas no futuro”. Em entrevista por telefone ao Observatório do Amanhã, Waters advogou que entramos no Antropoceno há 70 anos – o termo vem do grego “Anthropos” (homem) e “cenos” (novo). Ele fala como membro do grupo que diz que não estamos mais vivendo no Holoceno, atual época geológica oficial que se iniciou há pouco menos de 12 mil anos.

Professor honorário da Universidade de Leicester, no oeste da Inglaterra, o pesquisador enfatizou que a formalização da “época dos humanos” é importante porque “mostra a extensão do nosso impacto sobre o planeta a ponto de estarmos deixando um legado permanente da nossa existência”. A formalização do termo é objeto de intenso debate na comunidade científica e traz consigo implicações políticas e econômicas. Foi um dos temas em discussão durante o 35º Congresso Geológico Internacional, que acontece a cada quatro anos – o último deles tendo ocorrido na Cidade do Cabo, África do Sul, entre o fim de agosto e início de setembro de 2016.

Museu do Amanhã – Afinal de contas, o que é o Antropoceno?

Colin Waters – Há muitas interpretações sobre o que isto vem a ser. Como geólogos, estamos olhando para mudanças ambientais que aconteceram em intervalos pelos últimos 4,5 bilhões de anos – expressas em rochas. Desde o início do Holoceno, cerca de 11.700 anos atrás, temos vivido em um ambiente bastante estável. Tem havido um clima muito amigável; é o intervalo de tempo no qual prosperamos enquanto espécie e ocupamos um nicho dominante planeta afora.

Mas alguma coisa aconteceu depois disso, provavelmente em meados do século XX, quando toda a escala da nossa influência no planeta mudou radicalmente. E vemos isso por uma infinidade de sinais, sejam por materiais novos como plástico, concreto, cinzas de combustível de usinas de energia ou novos elementos químicos. Produzimos novos poluentes, como o DDT, inseticidas, e, ao mesmo tempo, lançamos uma quantidade imensa de gases de efeito estufa na atmosfera pelo nosso consumo de hidrocarbonetos – e tudo isso mudou a Terra profundamente em um período muito curto de tempo.

Para nós, é isso que o Antropoceno realmente representa – uma mudança física no planeta, que experimentamos mas de que somos causa ao mesmo tempo – e muitas destas mudanças ficarão permanentemente escritas nas rochas, que vão gravar a história do nosso tempo no planeta. Este registro inclui a forma como modificamos a abundância e a distribuição de outras formas de vida no planeta também.

[Leia a entrevista com o geólogo Colin Waters, da Universidade de Leicester e porta voz do grupo de trabalho internacional sobre o Antropoceno, realizada em parceria com dois outros jornalistas do Museu do Amanhã]